Solidariedade xs anarquistxs acusadxs de terrorismo na Bolívia!

O que escrevo poderia ser sobre uma lista de militantes perseguidos por um governo e que agora perdem suas vidas na prisão. Mas infelizmente, esse post é sobre o cenário geral de criminalização das lutas sociais, sobre Estados de exceção permante que usam leis anti-terroristas para desmobilizar e enfraquecer movimentos, sobre sociedade de controle e sobre mídias de massa vendendo merda e criando novelas baratas.

Sobre como todxs nós que lutamos contra a dominação e contra o autoritarismo, que temos vozes dissonantes, que nos mobilizamos pelo direito dxs trabalhadorxs, que estamos com  o povo e não com o kapital, somos terroristas em potencial para o Estado e todxs podemos de um dia para o outro ter que largar nossas vidas e companheirxs.

Enquanto no Rio de Janeiro temos sem-teto sendo acusados de organização criminosa, professores e advogados que lutam por causas populares sendo condenados, os demais governos de esquerda da América Latina também nos mostram que não importa quem esteja no poder, estará sempre contra o povo. Essa semana na Bolívia 10 militantes libertárixs foram acusadxs de terrorismo pelo serviço de inteligência do Estado que rastreou suas atividades políticas na internet, invadiu suas casas, apreendeu computadores, zines e outros pertences e xs deteve. São estudantes, artistas, veganxs, ambientalistas, anarquistas, mães, feministas, academicos, lutadorxs pela causa indígena, etc.

Quatro delxs, Nina Mancilla, Henry Segarrundo, Víctor Gironda e Renato Vicenti receberam a culpa de vários atentados terroristas a bomba a bancos e caixas eletrônicos e foram presxs. Com todo tipo de prova falsa, mentiras baratas e argumentos esdrúxulos, então nas capas dos principais jornais sendo tratados como uma organização criminosa. Estão usando pacthes e zines para comprovar as acusações de procedência duvidosa de terrorismo! Outro fato assustador é a liberdade que o serviço de inteligência tem de rastrear as atividades online, como os foruns anarquistas que participavam, e que isso é o suficiente para forjar provas e ter mandato para invadir suas casas pra revistar tudo. Xs presxs são anarquistas de diferentes coletivos e frentes, mas têm em comum o fato de que estiveram presentes no ato de apoio ao TIPNIS.

O TIPNIS é o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro-Securo, abriga milhares de indígenas e uma área rica em plantas e animais silvestres. Com o IIRSA (mais info também aqui) e todos os projetos de “desenvolvimento” nos países latino-americanos, o governo boliviano tem assumido políticas extrativistas, construindo imensas estradas que cortam florestas e desalojando indígenas (qualquer semelhança com o norte do Brasil não é coincidência). É uma luta de extrema importância na Bolívia e que contradiz toda a imagem indigenista e pachamamista feita pelo governo Evo.

O que é terror num mundo onde o Estado e o Kapital, com todo o seu aparato de corporações, bancos e máquinas para manter a marcha de seu “desenvolvimento”, pressupõe e gera a fome, a humilhação do trabalho capitalista, os total e sistematicamente excluídos, o ar e comida podres que botamos pra dentro todos os dias entre cidades imundas e latifúndios e desertos verdes? A liberdade parece ser o maior crime e a luta pelas nossas vidas o maior terrorismo.

O governo boliviano tenta assustar a população com histórias de mocinhos, bandidos e bombas, e os ativistas com o medo de ter sua vida desperdiçada entre grades. Precisamos ser fortes, nos organizarmos e prestar toda a solidariedade para aquelxs que resistem!

NENHUMA PRISÃO A MAIS!

Todxs xs que lutam estão ameaçadxs com essas novas formas de controle dos Estados!

LIBERDADE A TODXS XS PRISIONEIRXS DO TERRORISMO DE ESTADO!

Mais informações:

Territórios em Resistência

Pronunciamento de coletivos e individualidades anti-autoritários em Cochabamba

Matéria: Prisões de bem-vinda à OEA na Bolívia

Condenação do companheiro Filipe Proença: a repressão aumenta – a resistência também

Há alguns dias recebemos a triste notícia da condenação do companheiro Filipe Proença, professor e engajado na luta popular, por participar do ato de apoio à Ocupação Sem-teto Guerreiros Urbanos em dezembro de 2010, que foi violentamente despejada. A decisão foi tomada mesmo com o Ministério Público, acusador, tendo pedido absolvição. Ainda podemos recorrer, mas o caso não pode passar em branco, todxs nós podemos ser acusadxs, a criminalização dos movimentos sociais ganha campo jurídico no Estado de exceção. Ele(s) que nos atinge covardemente como pessoas isoladas, nos tira a vida de tantas formas, quando não cotidianamente, nos encarcerando para nos fazer acreditar que somos fracxs e impotentes, nos afastando de nossas amizades e companheirxs, atando nossas mãos e calando vozes para esterelizar nossas ações, ferindo corpos, rasgando peles, derramando sangue e choro, até o ponto de não sabermos a diferença entre nos tirarem o tesão de viver e a paralização de nossos órgãos. Mas ainda pulsamos. Transbordamos.

Precisamos nos organizar e agir, porque não estamos sós e nossa força assusta. Prisões e despejos vão acontecer cada vez mais se não nos mobilizarmos, a luta de classes é aqui e agora. Leis que chamam movimentos sociais de terrorismo já estão sendo aprovadas pelo bem da ordem, uma ordem onde temos papéis importantes, mas não temos voz efetiva nem autonomia. Muitos acreditam na constituição, nas leis do Estado, como segurança do que é certo e justo. No entanto, o que vemos todos os dias é que elas servem a classes específicas, que vivem na mesma cidade mas que participam de um mundo do qual não temos acesso, que fazem o Estado e as leis, que decidem e estruturam como as coisas devem ser para que tudo continue como está. Não importa quem está no governo, as disputas de poder entre os ricos e todxs que participam dessa estrutura parece tão grandiosa e importante, mas na hora que precisam mesmo, todos sabem seus aliados de classe, pois nada importa, só importa que quem se governe não sejam as próprias pessoas decidindo sobre suas vidas coletivamente. Precisamos suplicar para que um juiz sentencie um estuprador, e se o faz, agradecemos, precisamos lutar para ter o direito a greve, e no entanto, quando convém, até ele é suspenso (vide “lei da Copa”).

Todxs somos condenadxs quando alguém que fica parado na frente de um imóvel abandonado, vazio e sem utilidade pública para que famílias não voltem a morar nas ruas é condenado. Todxs somos intimadxs quando um grupo de 30 famílias sem-teto é chamado de organização criminosa e acusado de formação de quadrilha. Todxs estamos ameaçadxs quando a polícia tem carta branca para violentar e agredir em nome da lei, e resistir é crime.

O único terrorismo aqui é do Estado e do Kapital.

Por favor, compartilhem e compareçam AMANHÃ na reunião CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

 

Organização Anarquista Terra e Liberdade

“Liberdade sem socialismo é privilégio, injustiça; socialismo sem liberdade é brutalidade e escravidão.”
Bakunin

Dezembro, 2011. Após o terceiro despejo sofrido pelo coletivo de moradores da Ocupação sem-teto Guerreiro urbano, no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, militantes anarquistas começaram a se reunir e debater a construção de uma organização política especificamente anarquista que reunisse companheiras e companheiros ativos no movimento popular, estudantil e sindical. Batizados à ferro e noite, conhecendo, nos últimos anos, prisões, remoções, repressão e covardia, decidimos nos organizar. Não é uma vida medida à morte que queremos. Também não calamos ao som das pancadas, dos tiros na porta das casas, dos nossos mortos de fome, bala, polícia. Não paramos nunca. Terão que deitar nossas mãos, apagar nosso olho. Toda companheira morta, todo companheiro preso, toda casa demolida, toda greve reprimida, são as forças e o fogo que armamos noite e dia. Estamos acesos: corações cheios de pedras e vida.

Construir e defender uma organização à nível nacional e internacional, reunindo a militância anarquista presente

anarquista presente nos vários fronts da classe trabalhadora, é uma necessidade para nós que defendemos uma revolução socialista construída na ação direta e na organização popular autônoma. Sem essa organização, somos incapazes de resistir ao Estado, de defender nossas idéias, de fazer o anarquismo se espalhar, como se espalha a vida quando a água molha as folhas. Elaborada como a plataforma de uma organização anarquista lançada para os militantes revolucionários que estão atuando no movimento social, buscamos apresentar um pouco da nossa concepção de anarquismo, de organização anarquista, porque acreditamos que ela é imprescindível, e como pretendemos torná-la uma máquina de guerra capaz de fortalecer e fomentar as lutas contra o capitalismo, o Estado e toda forma de opressão.

Todxs que quiserem conhecer melhor a organização anarquista terra e liberdade, podem acessar aqui

Video do ato contra a comemoração do golpe de 64

Na tarde desta quinta-feira (29), manifestantes protestaram do lado de fora do Clube Militar, no centro do Rio, onde acontecia uma comemoração pelo aniversário do golpe de 1964. A polícia militar, como de costume, fez farta distribuição de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e muita truculência. Ex-militares como o tenente-coronel Lício Maciel, que participou de operações no Araguaia, e o general Nilton Cerqueira, responsável pela execução de Carlos Lamarca, foram escorraçados pelos manifestantes.

Alerta ao Estado Policial

Hoje militantes foram intimados a comparecer na 76ª DP por terem compartilhado um vídeo na internet que cita a Revolta das Barcas contra o absurdo aumento de passagem que ocorrerá dia 1 de março, passando a custar R$4,50. No mesmo embalo, policiais do Centro já fizeram um levantamento de informações sobre os atos contra o aumento e se preparam para fazer a única coisa para qual a polícia serve e que fazem muito bem: violentar pessoas em nome do capital.

Mês passado militantes foram ameaçados de perder seu material ao tentarem penfletar na rua perto da Central do Brasil, sendo informados pela guarda municipal de que “panfletar é crime segundo a lei orgânica do Rio de Janeiro”. Falando em leis, está no forno a Lei da Copa, onde estarão proibidas greves durante 3 meses, “causar pânico por razões ideológicas” dá 15 anos de prisão e hackear sites da panelinha (FIFA, CBF, etc) dá 4 anos, entre outras pérolas (Leia o PL completo aqui). Em um mundo de SOPAs, Pinheirinhos e Providências, sabemos que também em outras partes do país (veja também: tortura na usp) e do mundo a onda fascista vem com força. E contra isso ainda tem a pelegada legalista, que nada mais fazem que ajudar ao Estado Terrorista.

Tomemos as ruas, elas são nossas!

Quarta agora tem reunião em apoio as comunidades e ocupações urbanas sofrendo desalojos, precisamos de muitas mãos, criatividade e material para pintarmos nossa indignação com a cidade olímpica.

E dia 1 tem um grande ato contra as barcas, essa última gota depois de todos os transportes “públicos” terem aumentado, negando o direito a cidade de muitas pessoas em prol do lucro de uma máfia. Um ato em Niterói a partir das 7h, outro na volta pra casa as 18h, na Praça XV.

Vídeo que levou os autores à delegacia: